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Compreendendo o Narcisismo

  • Foto do escritor: Psicóloga sp,  Maristela Vallim Botari  CRP 06121677
    Psicóloga sp, Maristela Vallim Botari CRP 06121677
  • 17 de mar.
  • 4 min de leitura



A Nova Abordagem da CID-11

A CID-11 (adotada no Brasil) trouxe uma mudança estrutural, deixando de lado categorias rígidas. O profissional agora avalia o grau de gravidade e os traços predominantes sob o código 6D10.


  • O narcisismo é compreendido dentro dos traços de Dissocialidade.

  • Envolve características como grandiosidade, egocentrismo e desvalorização do outro.


Considerações sobre o Diagnóstico

Um ponto relevante é que traços narcisistas podem coexistir com um funcionamento saudável.


É possível que esses padrões sejam considerados um transtorno apenas quando provocam sofrimento significativo ou prejuízos importantes na vida emocional e social do indivíduo.


O transtorno de personalidade narcisista (TPN) é caracterizado por um padrão generalizado de grandiosidade, necessidade de adulação e falta de empatia. 

O que tradicionalmente foi chamado de Transtorno de Personalidade Narcisista é descrito no DSM-5-TR como um padrão persistente de grandiosidade, necessidade intensa de admiração e dificuldades de empatia e reciprocidade relacional.


Já a CID-11 mudou o modelo diagnóstico dos transtornos de personalidade: não utiliza mais categorias fechadas como “transtorno narcisista”, adotando uma avaliação dimensional baseada em grau de comprometimento e traços predominantes — entre eles, traços narcisistas.


Neste material, não utilizamos a sigla TPN, mas sim a compreensão de traços e dinâmicas de narcisismo que podem aparecer em diferentes intensidades nos relacionamentos. 


Etiologia e Desenvolvimento

A literatura científica sugere que o desenvolvimento desses traços pode ser influenciado por variáveis ambientais durante a infância, tais como:


  • Supervalorização Parental: Quando a criança é ensinada que possui direitos especiais ou que é inerentemente superior aos outros, sem a devida frustração necessária ao desenvolvimento saudável.


  • Privação Emocional e Negligência: O narcisismo pode surgir como um mecanismo compensatório para traumas de rejeição, onde o indivíduo constrói uma persona grandiosa para evitar o contato com sentimentos de inferioridade.



O que é o Narcisismo segundo a Psicologia

O narcisismo é um conceito amplamente estudado na psicologia, especialmente quando se discute a forma como as pessoas se percebem, constroem sua identidade e se relacionam com o outro.


O narcisismo é um conceito que encontra suas raízes na mitologia grega, através do mito de Narciso, e que na psicologia contemporânea nos convida a pensar sobre o equilíbrio entre o autocuidado e a alteridade. Refere-se a um espectro de traços de personalidade que envolvem a autoimagem, a busca por reconhecimento e a forma como a empatia é processada nas relações interpessoais.



O que define o Narcisismo?


“O narcisismo primário designa um estado precoce em que a criança investe toda a sua libido em si mesma. O narcisismo secundário designa um retorno ao eu da libido retirada dos seus investimentos objetais” (Laplanche e Pontalis).

 Ele descreve padrões de funcionamento psíquico relacionados à forma como o indivíduo investe energia em si mesmo, em sua imagem e em seu valor percebido.

De modo geral, refere-se a modos de organização emocional em que a atenção pode ficar excessivamente concentrada no próprio eu, o que tende a influenciar vínculos afetivos, familiares e profissionais. 


A psicologia entende o narcisismo como um fenômeno complexo, dimensional e contextual, que pode se manifestar em diferentes intensidades ao longo da vida.

 

Narcisismo e Autoestima não são a Mesma Coisa

É importante diferenciar narcisismo de autoestima saudável. Uma autoestima equilibrada permite reconhecer qualidades e limites, tolerar frustrações e sustentar relações com reciprocidade.


Traços narcisistas rígidos, por outro lado, costumam estar associados a maior defensividade, sensibilidade a críticas e dificuldade de reconhecer a perspectiva do outro



O traço Narcisista - Categorização clínica

Em classificações anteriores, como o DSM-IV e versões antigas da CID, esses padrões eram descritos na categoria de Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN). 


Hoje, a compreensão clínica evoluiu para modelos mais dimensionais. A CID-11, por exemplo, não utiliza mais categorias fechadas de transtornos de personalidade, adotando avaliação por grau de comprometimento e traços predominantes — entre eles, traços narcisistas.


O DSM-5-TR ainda mantém a categoria diagnóstica, mas na prática clínica contemporânea e no material psicoeducativo tem-se priorizado a leitura de traços e dinâmicas de funcionamento, em vez do uso de rótulos. 

Em qualquer caso, trata-se sempre de avaliação técnica, realizada por profissional habilitado. 


 

Como se manifestam comportamentos narcisistas


Para fins ilustrativos, imagine uma pessoa que, em suas relações, busca constantemente ser admirada, validada e reconhecida, demonstrando dificuldade em lidar com frustrações ou críticas.


Esse tipo de funcionamento pode incluir necessidade constante de atenção, dificuldade de escuta, pouca tolerância ao contraditório e tendência a colocar suas próprias necessidades acima das dos outros.


Em relacionamentos afetivos, esses comportamentos podem gerar conflitos, insegurança emocional e sensação de desvalorização no parceiro.


Em termos ilustrativos, podemos pensar em alguém que, nas relações, busca validação e reconhecimento de forma constante, apresentando dificuldade em lidar com críticas, frustrações ou limites.


Entre os comportamentos associados a traços de narcisismo, podem aparecer:

  • necessidade intensa de admiração

  • baixa tolerância ao contraditório

  • dificuldade de escuta emocional

  • sensibilidade exagerada a críticas

  • priorização recorrente das próprias necessidades


Quando esses padrões se tornam rígidos, as relações podem apresentar conflitos frequentes, desequilíbrio na reciprocidade e sensação de desvalorização por parte do outro.


Referências Bibliográficas

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR. Porto Alegre: Artmed, 2023.BECK, Aaron T.; FREEMAN, Arthur; DAVIS, Denise D. Terapia Cognitiva dos Transtornos da Personalidade. Porto Alegre: Artmed, 2017.

 
 

Conteúdo informativo desenvolvido pela Psicóloga SP - Maristela Vallim BotariCRP-SP 06-121677sem a finalidade de substituir a consulta psicológica, nem esgotar o tema.Trata-se apenas de um convite à reflexão

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