Ter ou não ser? A eterna reflexão sobre consumismo e identidade
- Psicóloga sp, Maristela Vallim Botari CRP 06121677

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A distinção entre “ser” e “ter” tem sido discutida por diferentes autores que analisam a relação entre identidade e consumo na sociedade contemporânea.
Em muitos contextos culturais, a posse de bens passa a funcionar como marcador de status, pertencimento ou reconhecimento social. No entanto, quando o valor pessoal começa a ser associado principalmente ao que se possui, pode surgir uma sensação persistente de insuficiência, na qual novas aquisições parecem sempre necessárias para sustentar a própria autoestima.
Sob uma perspectiva psicológica, o consumo pode assumir também uma função simbólica.
Em alguns momentos, comprar algo ou buscar experiências de consumo pode oferecer uma sensação momentânea de alívio, distração ou recompensa emocional. Entretanto, essa satisfação tende a ser transitória, especialmente quando o comportamento de consumo é utilizado como estratégia para lidar com frustrações, tédio ou sentimentos de vazio.
Nesse sentido, diversos autores sugerem que a sensação de realização pessoal costuma estar mais relacionada a dimensões internas da experiência humana — como autoconhecimento, desenvolvimento de habilidades, construção de vínculos significativos e percepção de propósito — do que à acumulação de bens materiais.
Reflexão final
Em determinadas situações do cotidiano, pode ser útil fazer uma breve pausa antes de recorrer ao consumo como forma de distração ou alívio emocional. Perguntas simples — como “Estou adquirindo algo por necessidade prática ou como forma de lidar com um estado emocional passageiro?” — podem favorecer uma reflexão mais consciente sobre as próprias motivações.
Reconhecer a diferença entre aquilo que possuímos e aquilo que somos não implica rejeitar o consumo, mas compreender melhor o lugar que ele ocupa em nossa vida. Essa consciência pode contribuir para escolhas mais equilibradas, alinhadas com valores pessoais, relações significativas e formas mais duradouras de satisfação.
Referências
BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
FROMM, Erich. Ter ou ser? Tradução de Nathanael C. Caixeiro. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1987.
FROMM, Erich. A arte de amar. São Paulo: Martins Fontes, 2014.
LIPOVETSKY, Gilles. A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade de hiperconsumo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
LIPOVETSKY, Gilles. Os tempos hipermodernos. São Paulo: Barcarolla, 2004.
KASSER, Tim. The high price of materialism. Cambridge: MIT Press, 2002.
CRP-SP 06-121677

























