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Crenças centrais: O que são e com a TCC pode ajudar

  • Foto do escritor: Psicóloga sp,  Maristela Vallim Botari  CRP 06121677
    Psicóloga sp, Maristela Vallim Botari CRP 06121677
  • há 3 horas
  • 4 min de leitura




 De acordo com Aaron Beck, as crenças centrais referem-se a pensamentos profundos e enraizados que moldam a forma como uma pessoa percebe a si mesma, aos outros e ao mundo. 

Essas convicções frequentemente ditam nossos pensamentos automáticos e emoções.


A Tríade do Sofrimento Emocional

Na prática, essas três categorias representam núcleos de crenças centrais negativas — ideias profundas, globais e rígidas que a pessoa passa a tomar como verdades sobre si mesma. 

Crenças de Desvalor

  • "Não tenho valor." 

  • "Sou inaceitável ou incompetente."

  • "Sou um fracasso ou falho."

A pessoa não apenas pensa que errou — ela conclui erroneamente que é o erro


Crenças de Desamparo

  • "Sou vulnerável e fraco."

  • "Não consigo me proteger."

  • "Estou sozinho no mundo."

 A pessoa deixa de agir não por falta de vontade, mas por expectativa de incapacidade


Crenças de Desamor

  • "Não mereço ser amado."

  • "Sou indesejável ou rejeitado."

  • "Ninguém gosta de mim."

Pode levar a pessoa a interpretar erroneamente sinais neutros (como alguém demorar a responder) podem ser como rejeição. 


 IMPORTANTE

Essas crenças não são “fatos” — são construções psicológicas aprendidas, geralmente de maneira automática, lenta e gradual. 


Por isso, na prática clínica, o trabalho não é simplesmente “convencer” o paciente do contrário, mas analisar (ao longo dos encontros) as circunstâncias em que essas crenças foram construídas, considerando o contexto de vida, experiências e relações.

 

Erros Cognitivos Comuns — TCC

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, os erros cognitivos — também chamados de distorções cognitivas — foram amplamente descritos por Aaron T. Beck.


De acordo com a base conceitual apresentada, a TCC parte do princípio de que não são os acontecimentos em si que determinam nossas emoções, mas a forma como os interpretamos

Origem do conceito

Aaron Beck desenvolveu a TCC a partir de pesquisas com pacientes deprimidos na década de 1960. Ele observou que esses pacientes apresentavam padrões recorrentes de pensamentos negativos automáticos, frequentemente marcados por interpretações pessimistas sobre si mesmos, o mundo e o futuro — o que ficou conhecido como Tríade Cognitiva da Depressão.

O que são distorções cognitivas?

As distorções cognitivas são formas sistemáticas de interpretar a realidade de maneira imprecisa ou exagerada. 

Elas funcionam como “atalhos mentais” que podem ter utilidade adaptativa em algumas situações, mas que, quando excessivos ou inflexíveis, contribuem para ansiedade, depressão, baixa autoestima e outros transtornos emocionais.


Pensamento tudo-ou-nada

Ver situações em extremos: “ou é perfeito ou é um fracasso”. Não há meio-termo nem gradações de resultado. Ex.: “Se não fiz perfeito, sou um fracasso.” 

Generalização excessiva

Transformar um evento negativo isolado em regra permanente: “isso sempre acontece comigo”. Ex.: “Fui mal nessa prova, nunca vou conseguir aprender isso.”

Filtro negativo

Focar apenas nos aspectos ruins e desconsiderar dados positivos ou neutros da experiência.

Pressupor saber o que o outro pensa — geralmente de forma negativa — sem evidências suficientes. Ex.: “Ela não respondeu minha mensagem porque está com raiva de mim.”

Catastrofização

Antecipar o pior cenário possível e tratá-lo como provável ou inevitável. Ex.: “Se eu errar essa apresentação, minha carreira acabou.”

Desqualificar o positivo

Minimizar conquistas e qualidades: “não foi nada”, “qualquer um faria”. Ex.: “Consegui o emprego, mas foi só sorte.”

Personalização

Assumir responsabilidade excessiva por acontecimentos externos ou reações de outras pessoas.

“Deverias” rígidos

Regras internas inflexíveis sobre como você e os outros “deveriam” agir, gerando culpa e frustração.

Como a TCC trabalha esses padrões

A TCC pode ensinar a identificar, questionar e reformular pensamentos disfuncionais , investigando também as crenças centrais  que sustentam esses filtros de interpretação. O objetivo não é “pensar positivo”, mas pensar de forma mais precisa, flexível e útil. 


RPD - TCC: Registro de Pensamentos Automáticos

A TCC é uma das abordagens psicológicas mais estudadas e utilizadas no mundo. Seu principal objetivo é ajudar a compreender como pensamentos, sentimentos e comportamentos se influenciam mutuamente e, a partir dessa compreensão, encontrar formas mais saudáveis de lidar com os problemas.




 Uma das ferramentas mais elegantes da TCC  é o RPD justamente porque ela mostra que o sentimento não nasce do nada

Entre o fato e a emoção existe uma interpretação, e é nesse espaço que o terapeuta trabalha junto com o paciente. Isso ajuda a explicar, de forma muito concreta, por que duas pessoas podem viver exatamente a mesma situação e reagirem de maneiras completamente diferentes

Imagine a seguinte situação (Registro de Pensamentos Disfuncionais - RPD):

Situação: seu chefe passa por você e não dá bom dia.

Pensamento: "Ele está bravo comigo. Fiz alguma coisa errada."

Sentimento: ansiedade.

Comportamento: você evita conversar com ele o restante do dia.

Outra pessoa, diante da mesma situação, poderia pensar: "Ele deve estar preocupado com alguma coisa", sentir apenas curiosidade e continuar seu dia normalmente.

A situação foi exatamente a mesma. O que mudou foi a interpretação.

É justamente nesse ponto que a Terapia Cognitivo-Comportamental atua. Durante o processo terapêutico, você aprende a identificar padrões de pensamento, compreender como eles influenciam suas emoções e avaliar se essas interpretações correspondem aos fatos ou apenas representam uma conclusão automática.


Obrigada pela leitura do artigo. 

Caso queira conhecer um pouco mais sobre as ideias Psicóloga, leia outros posts neste 

Texto escrito por:

Maristela Vallim Botari - CRP SP 06121677

 

 

Referências

BECK, Aaron T. Terapia cognitiva e transtornos emocionais. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.

BECK, Judith S. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.


DOBSON, Keith S. (org.). Manual de terapias cognitivas-comportamentais. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.

KNAPP, Paulo (org.). Terapia cognitivo-comportamental na prática psiquiátrica. Porto Alegre: Artmed, 2004.

WRIGHT, Jesse H.; BASCO, Monica R.; THASE, Michael E. Aprendendo a terapia cognitivo-comportamentalum guia ilustrado. Porto Alegre: Artmed, 2008.




 
 

Conteúdo informativo desenvolvido pela Psicóloga SP - Maristela Vallim BotariCRP-SP 06-121677sem a finalidade de substituir a consulta psicológica, nem esgotar o tema.Trata-se apenas de um convite à reflexão

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