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Workaholic - quando o amor ao trabalho vira doença

  • Foto do escritor: Psicóloga sp,  Maristela Vallim Botari  CRP 06121677
    Psicóloga sp, Maristela Vallim Botari CRP 06121677
  • 23 de mar.
  • 5 min de leitura

Todos nós precisamos trabalhar. E a maioria de nós escolhe profissões para as quais tenha inclinação, vocação, admiração, facilidade, etc. Somos programados pela sociedade para trabalhar naquilo que gostamos (embora isso nem sempre seja possível). 


 


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Estudamos, passamos muitos anos na faculdade, pegamos o diploma e vamos para o mercado de trabalho, muitas vezes, condicionados por uma visão romântica (e distorcida) do trabalho que iremos desenvolver. 


À medida que vamos produzindo, vamos querendo produzir mais, mais e mais, em busca de reconhecimento, seja financeiro, moral e, às vezes, até mesmo pessoal! 


No entanto, o envolvimento excessivo, que é caracterizado em transformar o próprio trabalho na recompensa do trabalho, pode se tornar um problema quando você se torna um workaholic.

 

O que é um Workaholic?

Um workaholic é alguém que sente uma necessidade compulsiva de trabalhar, muitas vezes em detrimento de outros aspectos da vida. O trabalho deixa de ser uma atividade para sustento ou realização profissional e se transforma em uma obsessão. 



O estresse no trabalho é uma realidade para muitas pessoas e pode ter impactos significativos na saúde mental e no bem-estar geral, prejudicando inclusive a Autoestima.

Estresse no trabalho: quando a pressão vira modo de vida

Índice

  • 1. A cultura da pressão permanente

  • 2. O cenário econômico e a insegurança profissional

  • 3. O medo do desemprego como fator de tensão contínua

  • 4. O impacto psicológico da instabilidade

  • 5. Quando o estresse deixa de ser pontual e vira estado mental

Agenda apertada, compromissos, prazos, metas, celular tocando, reuniões, pressões por resultado... e muitas vezes salários abaixo da média. O estresse nos ambientes corporativos é uma realidade que assola desde os CEOs até os estagiários. Mas, será que estamos condenados a viver assim? Quem poderá nos ajudar.


1. A cultura da pressão permanente

O ambiente de trabalho contemporâneo passou por uma transformação silenciosa nas últimas décadas. 

A aceleração tecnológica, a conectividade contínua e a cultura da alta performance criaram um modelo em que disponibilidade constante (em alguns casos) virou virtude — e pausa virou quase culpa.

Não se trata apenas de trabalhar muito. Trata-se de trabalhar sob vigilância de métricas, indicadores, metas variáveis e avaliações contínuas. A produtividade deixou de ser apenas entrega — e em muitos casos - passou a ser monitoramento, comparação e ranqueamento.

O problema é que o organismo humano não foi projetado para operar em estado prolongado de alerta, o que pode gerar desgaste.

2. O cenário econômico e a insegurança profissional

O contexto econômico, tanto no Brasil quanto no cenário internacional, adiciona uma camada extra de tensão. Oscilações de mercado, instabilidade política, transformações tecnológicas rápidas e reestruturações corporativas frequentes tornam o futuro profissional menos previsível.

Empresas se reorganizam, cargos desaparecem, funções são automatizadas, exigências aumentam. O trabalhador precisa se atualizar continuamente — muitas vezes fora do horário de trabalho — apenas para permanecer competitivo.

Isso cria um paradoxo moderno: nunca houve tanta qualificação disponível e, ainda assim, nunca foi tão comum o sentimento de insuficiência profissional.

3. O medo do desemprego como fator de tensão contínua

O desemprego deixou de ser percebido apenas como um evento — tornou-se uma ameaça psicológica permanente. Mesmo entre profissionais empregados, a sensação de vulnerabilidade é frequente.

Muitos trabalhadores relatam a percepção de que estão sempre “a um erro de distância” de perder a posição que ocupam. Esse tipo de clima interno produz autocensura, hipercontrole, medo de exposição e dificuldade de estabelecer limites.

O resultado é um padrão de funcionamento defensivo: trabalha-se não apenas para crescer, mas para não cair.

4. O impacto psicológico da instabilidade

Quando a instabilidade externa se prolonga, ela começa a ser internalizada. O sujeito passa a operar em estado de antecipação negativa: espera problemas, prevê perdas, imagina cenários desfavoráveis.

Isso altera a forma de perceber feedbacks, mudanças de gestão, variações de demanda e até silêncios institucionais. Pequenos sinais passam a ser interpretados como ameaças maiores.

Não é apenas a carga de trabalho que cansa — é a carga de incerteza.

5. Quando o estresse deixa de ser pontual e vira estado mental

O estresse saudável é reativo e temporário. Surge diante de uma demanda e diminui após a resolução. Já o estresse crônico é diferente: ele se instala como pano de fundo emocional.

Nesse estágio, não é mais apenas a tarefa que gera tensão — é o contexto inteiro. A pessoa acorda cansada, trabalha em alerta e descansa com culpa. A mente permanece ocupada mesmo fora do expediente.

Com o tempo, esse padrão compromete a saúde mental, a clareza cognitiva, a qualidade das decisões e o equilíbrio emocional.

 

Referências (ABNT)

ANTUNES, Ricardo. O privilégio da servidão: o novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Boitempo, 2018.Analisa transformações do trabalho contemporâneo e como novas formas de organização laboral podem intensificar pressões psicológicas e desgaste emocional.

DEJOURS, Christophe. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2015.Obra clássica da psicodinâmica do trabalho que investiga como as condições laborais podem produzir sofrimento psíquico, estresse e adoecimento mental.

LAZARUS, Richard S.; FOLKMAN, Susan. Stress, appraisal, and coping. New York: Springer, 1984.Referência fundamental na psicologia do estresse. Os autores discutem como a percepção das demandas e os recursos pessoais influenciam a experiência de estresse.

MASLACH, Christina; LEITER, Michael P. The truth about burnout: how organizations cause personal stress and what to do about it. San Francisco: Jossey-Bass, 1997.Livro importante sobre burnout, explorando a relação entre ambiente de trabalho, esgotamento emocional e perda de sentido profissional.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Guidelines on mental health at work. Genebra: World Health Organization, 2022.Documento internacional que apresenta recomendações para prevenção de riscos psicossociais e promoção da saúde mental no ambiente de trabalho.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO (OIT). Workplace stress: a collective challenge. Genebra: International Labour Organization, 2016.Relatório que aborda o estresse ocupacional como um desafio global relacionado à organização do trabalho, às demandas profissionais e às mudanças no mercado laboral.

SAPOLSKY, Robert M. Why zebras don't get ulcers. 3. ed. New York: Holt Paperbacks, 2004.

 

Se você percebe que esse tema dialoga com sua própria experiência, a psicoterapia pode ser um espaço adequado para aprofundar essa compreensão.

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Conteúdo informativo desenvolvido pela Psicóloga SP - Maristela Vallim BotariCRP-SP 06-121677sem a finalidade de substituir a consulta psicológica, nem esgotar o tema.Trata-se apenas de um convite à reflexão

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