O que o Psicólogo não faz DE JEITO NENHUM
- Psicóloga sp, Maristela Vallim Botari CRP 06121677

- há 2 dias
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Psicologa SP
Psicóloga Maristela Vallim Botari CRP-SP 06-121677 maio 25, 2026
O que o psicólogo não faz — de jeito nenhum
Conteúdo informativo desenvolvido pela Psicóloga SP Maristela Vallim Botari CRP-SP 06-121677 Este material possui caráter reflexivo e não substitui a consulta psicológica, nem tem a pretensão de esgotar os assuntos. Leia outros artigos no Blog da Psicóloga
Nem sempre é confortável falar sobre limites. Mas falar sobre isso também faz parte de um trabalho sério, ético e responsável.
A Psicologia possui regras claras de atuação, definidas pelo Conselho Federal de Psicologia, justamente para proteger o paciente, o profissional e o próprio processo terapêutico.
Infelizmente, muitas pessoas chegam ao consultório com ideias equivocadas sobre o que um psicólogo “deveria” fazer. Algumas expectativas surgem por desinformação, outras por experiências ruins anteriores, e outras ainda porque certos conteúdos da internet acabam distorcendo nossa profissão.
Por isso, nós, Psicólogos precisamos estar atentos sobre como informar sobre assuntos delicados diante dos nossos pacientes.
Além de acolher bem, também precisamos informar bem.Nem tudo o que um paciente pede pode — ou deve — ser feito. E isso não significa falta de empatia. Significa responsabilidade.
O que um psicólogo não faz
Não analisamos pessoas ausentes
Um psicólogo não pode “diagnosticar”, “analisar” ou “definir” alguém que não está em atendimento.
É muito comum ouvirmos frases como:“Meu marido é narcisista?”“Minha mãe é bipolar?”“Meu chefe é abusivo?”
Mesmo que existam comportamentos difíceis ou prejudiciais, nenhum profissional sério faz avaliações reais sem escuta clínica adequada, acompanhamento e contexto.
E vale lembrar: compreender profundamente até mesmo uma pessoa que está em atendimento regular já é uma tarefa delicada, cuidadosa e complexa. Imagine, então, analisar alguém ausente, sem escuta direta e sem convivência clínica real.
Psicologia não funciona como análise à distância.
Não damos informações sobre pacientes para terceiros
O sigilo profissional é uma das bases da Psicologia.
Isso significa que não damos feedback sobre pacientes para familiares, parceiros, amigos, empresas ou qualquer outra pessoa — mesmo quando existe preocupação genuína.
Exceções existem apenas em situações graves previstas por lei e pelo código de ética, envolvendo risco real à vida ou à integridade de alguém.
Não misturamos terapia com amizade
O vínculo terapêutico é humano, acolhedor e muitas vezes muito próximo emocionalmente. Mas ele continua sendo profissional.
Por isso, psicólogos evitam relações paralelas com pacientes, como amizades íntimas, envolvimentos pessoais, favores frequentes ou convivências que confundam os papéis da relação terapêutica.
Esse limite existe para proteger o paciente e preservar a qualidade do atendimento.
Não realizamos trocas de serviços por terapia
Atendimento psicológico não deve funcionar como moeda de troca.
Trocar sessões por serviços, produtos ou favores pode gerar conflitos éticos, dependências emocionais, constrangimentos e dificuldades na relação profissional.
A clareza na relação profissional também faz parte do cuidado.
O atendimento de menores exige responsabilidade
Menores de idade precisam de autorização dos responsáveis legais para iniciar acompanhamento psicológico, salvo situações muito específicas previstas em lei, quando a autorização deve vir do Conselho tutelar.
O trabalho com menores busca equilíbrio entre acolhimento, proteção e participação responsável da família.
Documentos precisam refletir a realidade clínica
Atestados, declarações, laudos e recibos são documentos sérios e precisam seguir critérios técnicos e éticos.
Isso significa que não podem ser emitidos com informações falsas, superficiais ou incompatíveis com a realidade do atendimento.
Uma avaliação psicológica responsável exige escuta adequada, análise cuidadosa e, muitas vezes, instrumentos específicos.
Documentos mal elaborados podem trazer prejuízos importantes para processos, tratamentos, relações familiares e até questões legais.
Limites também são cuidado
A ética profissional não serve para criar distância fria entre psicólogo e pessoa atendida. Ela existe para garantir segurança, respeito, responsabilidade e seriedade no cuidado emocional.
Nem tudo o que é desejado em um momento é saudável dentro de um processo terapêutico. E reconhecer isso também faz parte da profissão.
O psicólogo não se torna porta-voz de familiares ou pessoas próximas
É natural que pais, parceiros e familiares tragam preocupações sobre alguém que está em atendimento. Muitas vezes, essas mensagens nascem de cuidado verdadeiro.
Mas a terapia não é o espaço adequado para transmitir recados, cobranças, orientações ou expectativas de terceiros ao paciente.
Frases como:“Fale para ele ser mais calmo.”“Explique para ela que está errada.”“Você precisa convencer meu filho a mudar.”“Diga para ele ouvir mais a família.”
podem partir de sofrimento genuíno, mas não é assim que o trabalho clínico funciona.
Nosso compromisso é com o processo terapêutico e com o bem-estar emocional do paciente. Nosso material de trabalho é a fala, a percepção, a expressão emocional e a vivência trazida por quem está em atendimento.
Isso não significa que a visão da família seja ignorada ou “sem importância”. Muitas vezes, ela traz elementos valiosos. Mas a terapia individual não é um espaço em que o psicólogo assume a função de transmitir cobranças, corrigir comportamentos segundo expectativas externas ou defender um dos lados de uma relação. Ao contrario: é o momento do individuo. Somente o que ele fala tem peso.
Quando existem conflitos familiares importantes, o mais adequado muitas vezes é um espaço terapêutico em que todos possam falar diretamente, serem escutados e trabalhar as dificuldades em conjunto — como acontece na terapia familiar.
Quando é realmente necessário conversar com a psicóloga?
Existem situações em que pais, parceiros ou familiares sentem necessidade real de conversar com a profissional. E isso pode acontecer de maneira saudável, ética e respeitosa.
A orientação mais adequada, na maioria dos casos, é que essa intenção seja comunicada primeiro ao próprio paciente — mesmo quando se trata de crianças ou adolescentes.
O ideal é dizer de forma clara e transparente que você gostaria de conversar com a psicóloga e pedir que ele informe isso durante o atendimento.
Em vez de fazer contato direto imediatamente, o mais apropriado costuma ser pedir ao paciente que avise a profissional sobre esse desejo de conversa. Isso ajuda a preservar o vínculo de confiança dentro do processo terapêutico e evita que o paciente sinta que existem conversas paralelas acontecendo sem seu conhecimento.
Quando essa possibilidade surge, a psicóloga naturalmente irá avaliar a situação clínica e conversar com o paciente sobre:
se ele concorda com esse contato;
qual seria o objetivo da conversa;
e se essa conversa deveria acontecer com sua presença ou não.
O trabalho terapêutico depende profundamente da confiança. E preservar essa confiança faz parte do cuidado psicológico.
Saiba mais
Referências
TELLES, Thabata Castelo Branco;
BORIS, Georges Daniel Janja Bloc;
MOREIRA, Virginia.
O conceito de tendência atualizante na prática clínica contemporânea de psicoterapeutas humanistas.
Rev. abordagem gestalt. [online]. 2014, vol.20, n.1 [citado 2019-09-20], pp. 13-20.
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