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05 fases do luto afetivo

  • Foto do escritor: Psicóloga sp,  Maristela V. Botari
    Psicóloga sp, Maristela V. Botari
  • 28 de jan.
  • 6 min de leitura

Atualizado: 16 de fev.


A Neurobiologia e as Fases do Luto nos relacionamentos amorosos

Índice do Conteúdo:


O Término do Relacionamento


O término de um relacionamento pode ser uma das experiências mais dolorosas e difíceis que alguém pode enfrentar a ideia de perder uma pessoa (ou algo) importante em sua vida pode ser muito traumática.


As cinco fases do Luto amoroso

O fim de um relacionamento frequentemente mobiliza um processo de reorganização da identidade. 


Ao longo da vida a dois, é comum que hábitos, escolhas, rotinas, planos e até formas de se perceber no mundo tenham sido construídos de maneira compartilhada. 

Quando a relação termina, a pessoa pode se deparar com a tarefa de se reconhecer novamente fora dessa dinâmica.


Essa reorganização tende a não ser imediata. Em muitos casos, pode ocorrer como um desligamento gradual das marcas do outro, começando por aspectos mais concretos — rotinas, objetos, horários, programas — e, com o tempo, alcançando camadas mais profundas, como projetos de vida, referências afetivas e narrativas pessoais.


Esse percurso pode, em parte, se aproximar das chamadas fases do luto, descritas por Elisabeth Kübler-Ross, entendidas hoje como possíveis estados emocionais — não etapas fixas nem obrigatórias.


Após uma ruptura, a pessoa pode experimentar, em diferentes ordens e intensidades:

  • negação, com sensação de irrealidade ou dificuldade de aceitar o fim

  • raiva, que pode se dirigir ao ex-parceiro, a si ou à situação

  • barganha, com pensamentos do tipo “se tivesse feito diferente…”

  • tristeza, com retraimento e maior sensibilidade emocional

  • aceitação, quando a realidade do término passa a ser mais integrada


Nem todos vivenciam todas essas fases, e elas não necessariamente seguem sequência linear — podem alternar e até coexistir.


No processo de reconstrução identitária, podem estar envolvidos movimentos como:

  • revisão de papéis e expectativas que estavam vinculados ao vínculo

  • retomada gradual de interesses pessoais possivelmente deixados em segundo plano

  • reconstrução de autonomia nas decisões cotidianas

  • redefinição de valores e prioridades

  • atualização da própria história — integrando a relação vivida sem que ela defina toda a identidade.


Também pode haver oscilações entre maior clareza e momentos de saudade ou idealização. Essas variações podem ser compatíveis com o processamento emocional e não indicam, por si só, retrocesso.


O foco tende a não ser “apagar” a experiência, mas integrá-la de forma menos central, permitindo que a identidade se torne novamente mais ampla do que o relacionamento encerrado. 


1. A Neurobiologia da Perda Amorosa


As rupturas afetivas são processos complexos que podem impactar diretamente nosso sistema de recompensa cerebral. 


Quando um vínculo é interrompido, o cérebro pode reagir de forma semelhante à abstinência química. 


Segundo os estudos de Elisabeth Kübler-Ross  a separação pode provocar quedas bruscas nos níveis de dopamina e ocitocina, substâncias responsáveis pelas sensações de prazer e segurança.


Pesquisas em neurociência — como as conduzidas por Helen Fisher — sugerem que a rejeição amorosa e a separação ativam áreas cerebrais associadas ao desejo, ao vínculo e à dependência, indicando que o rompimento pode ser processado, em parte, como uma forma de “privação” relacional.


Estudos também apontam que a separação pode estar associada a quedas nos níveis de dopamina e ocitocina, substâncias relacionadas às sensações de prazer, motivação e segurança emocional. Ao mesmo tempo, pode ocorrer aumento do cortisol, o hormônio do estresse, com ativação de regiões cerebrais envolvidas no processamento da dor física, como o córtex somatossensorial secundário e a ínsula dorsal posterior.


Esse conjunto de respostas ajuda a compreender por que a dor da perda pode ser percebida de forma corporal e intensa, podendo vir acompanhada de sensações como aperto no peito, apatia, tristeza profunda e angústia — variando em forma, intensidade e duração conforme a história e os recursos emocionais de cada pessoa.


2. Os 5 Estágios do Luto Afetivo

Segundo os estudos pioneiros de Elisabeth Kübler-Ross, atravessamos estágios que nos auxiliam a processar a ausência e reorganizar nossa identidade sem o outro.


Segundo ela existem cinco estágios do Luto: Negação, raiva, barganha, tristeza e aceitação.


É importante considerar, porém, que essas fases não necessariamente ocorrem na mesma ordem, nem com a mesma intensidade. Podem ser vivenciadas de modo diferente por cada pessoa, com idas e vindas entre estados emocionais, e não possuem duração fixa ou prazo definido para acontecer.


05 fases do luto afetivo - psicologa sp

Negação:

1. Negação: Fase marcada pela tendência a mascarar a ocorrência. Pode ocorrer um comportamento de pseudo-felicidade ou a busca incessante por distrações para evitar o confronto com o vazio deixado pela perda. 

Nesta fase do luto pessoa tende a se recusar a acreditar na perda e pode buscar informações para tentar encontrar uma explicação para o ocorrido. É como se houvesse uma resistência em aceitar a realidade da situação.

Segundo a própria Kübler-Ross: "A negação é mais do que simplesmente uma recusa em acreditar no fato de que alguém ente querido se foi. É uma espécie de amortecedor psicológico que nos ajuda a amortecer o impacto inicial do fato".


Raiva:


05 fases do luto afetivo - psicologa sp

2. Raiva: Kübler-Ross diz que "a fase da raiva é quando a pessoa começa a se perguntar: 'por que eu?', 'por que agora?', 'por que essa pessoa?'. É quando as emoções começam a surgir e a pessoa precisa lidar com elas”.


Segundo ela, a raiva surge quando a realidade se impõe. Existe a possibilidade de sentimentos de injustiça, culpa direcionada ao ex-parceiro ou a si mesmo, e uma revolta contra a situação. 

Existe uma tendencia a se questionar o porquê da perda, podendo esta raiva pode ser direcionada para a divindade, para outras pessoas envolvidas na situação ou até mesmo para si mesma.




Barganha:

A terceira fase é a barganha.

Tendência a buscar o alivio da dor por meio de tentativas de negociações objetivas ou subjetivas. É o momento de pensamentos do tipo "e se eu tivesse agido diferente?". 


05 fases do luto afetivo - psicologa sp

A pessoa tenta negociar com o que aconteceu, tendendo a buscar uma maneira de reverter a situação ou obter um acordo que minimize a dor.


Pode ser um momento de orações ou promessas para que tudo se resolva.

Kübler-Ross destaca que "as pessoas podem fazer promessas extravagantes na esperança de que nada disso tenha acontecido. Essa negociação pode ser uma maneira de lidar com a dor”.


Depressão:

05 fases do luto afetivo - psicologa sp

Depois vem a fase da depressão. A pessoa pode sentir uma tristeza profunda, podendo ainda perder o interesse nas atividades cotidianas e sentir o vazio em sua vida.

Kübler-Ross afirma que "a fase da depressão é quando tudo se torna real e quando a pessoa percebe que a negação, a raiva e a barganha não vão funcionar. É um momento em que há muita dor e sofrimento, mas é uma fase necessária para a recuperação".


Finalmente, a aceitação


05 fases do luto afetivo - psicologa sp

Por fim, vem a fase da aceitação. É quando a pessoa finalmente aceita a perda e compreende que é uma parte natural do ciclo da vida. Embora a dor ainda possa estar presente, a pessoa tende a se adaptar à nova realidade e a seguir em frente.

Kübler-Ross diz que "a aceitação não significa que a pessoa tenha superado completamente a perda, mas sim que ela começa a aceitar que essa pessoa ou coisa que ela amava não está mais presente em sua vida".




Conclusão

Em síntese, as cinco fases do luto podem ser compreendidas como um modelo de referência que pode ajudar na leitura e no entendimento das reações diante de perdas significativas. Trata-se de um processo humano possível e frequente, mas não obrigatório nem idêntico para todos.


Cada pessoa pode atravessar essas fases de modo singular — com variações de intensidade, sequência e duração — e não existe um percurso “correto” ou padronizado para viver o luto. Em muitos casos, pode ser útil permitir-se reconhecer e nomear emoções, respeitando o próprio ritmo e praticando uma postura de maior paciência e autocompaixão.


A psicoterapia, quando buscada, pode favorecer a compreensão de padrões emocionais, o fortalecimento de recursos pessoais e a construção de narrativas mais flexíveis sobre si e sobre os vínculos — sempre considerando o momento, o contexto e as condições de cada pessoa.

REFERÊNCIAS


DICIONÁRIO Aurélio.

Amor.

Acesso Em 23 De Junho De 2013.


FABICHACK, Cibele. 

Amor, Sexo, Endorfinas E Bobagens. 

São Paulo, 2010.


FISHER, Helen E.; BROWN, Lucy L.; ARON, Arthur; STRONG, Greg; MASHEK, Debra. Reward, addiction, and emotion regulation systems associated with rejection in love. Journal of Neurophysiology, v. 104, n. 1, p. 51–60, jul. 2010. doi:10.1152/jn.00784.2009.


FROMM, Erich. 

A Arte De Amar. 

São Paulo. Martins Fontes. 1971


KÜBLER-ROSS, E. 

Sobre A Morte E O Morrer. 

8.Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.


SOUZA, Tuhany Barbosa. 

Amor Romântico.

Monografia de Conclusão De Curso.

Uniceub, 2007.






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