Lidando com as injustiças da Vida
- Psicóloga sp, Maristela V. Botari

- 13 de jan.
- 6 min de leitura
Lidando com as injustiças da Vida
Já lhe aconteceu de chegar a um ambiente e ser recebido com indiferença ou hostilidade gratuita?
De ficar se perguntando: "O que aconteceu? O que eu fiz?"?
Às vezes, as pessoas se comportam de maneira estranha, como se virassem uma chave; sem explicação alguma, passam a tratá-lo com um distanciamento ou uma indiferença que beira a grosseria — isso quando não partem diretamente para a falta de educação.
E você, ingenuamente, mergulha em uma busca interna, vasculhando o próprio comportamento em busca de "gatilhos" que possam ter acionado essa mudança súbita na energia alheia.
Pare. Não há nada mais injusto do que a injustiça que você comete contra si mesmo ao assumir a culpa pelo desequilíbrio do outro.
Considere três verdades fundamentais:
O problema raramente é você: Se o tratamento mudou sem que você tivesse cometido um ato socialmente reprovável, a origem do conflito está no outro, não em você. Pode ser inveja, ciúme, medo, culpa, etc. A mudança brusca diz mais sobre a instabilidade ou o caráter de quem mudou do que sobre sua conduta.
A falta de diálogo é uma falha de quem julga: Mesmo que você tivesse cometido um erro, o "cancelamento" silencioso é uma atitude imatura e incoerente. Adultos funcionais resolvem conflitos através do diálogo, não do isolamento punitivo.
A sobrevivência é garantida: Lembre-se de que a maioria das pessoas é, em algum momento, vítima de calúnia ou difamação. Aqueles que alcançam a sabedoria emocional conseguem ignorar tais episódios, classificando-os como "situações sem solução" e simplesmente seguindo em frente com uma nova atitude.
Vale a pena buscar a verdade?
Você quer saber o que aconteceu? Eu, sinceramente, desaconselho. Se a situação chegou ao ponto da hostilidade gratuita, é provável que alguém tenha espalhado mentiras a seu respeito. Se foi o caso, lembre-se: o ônus da prova cabe a quem afirma.
Além disso, considere a qualidade do caráter daqueles que acreditaram no que ouviram sem consultá-lo. Será que pessoas que se deixam levar pela vulgaridade de fofocas e calúnias merecem o seu esforço de defesa?
Quem se dispõe a acreditar no "ouvi dizer" sem dar a você o benefício da dúvida não merece sua consideração, muito menos seu convívio.
O Livramento Disfarçado de Perda
No fim das contas, o afastamento dessas pessoas é uma bênção disfarçada.
O desgaste necessário para tentar "trazê-las de volta para o seu lado" ou provar sua inocência para quem já decidiu ser juiz e carrasco é um preço alto demais.
Prossiga com a consciência limpa. Quando você para de carregar o peso das expectativas e das mentiras alheias, seus passos ficam mais leves.
A sua paz vale mais do que qualquer explicação que o outro não está disposto a ouvir.
O tempo, esse senhor da razão, sempre acaba por colocar cada máscara no chão e cada verdade no seu devido lugar.
Como a Psicoterapia Cognitivo Comportamental com Acolhimento Humanizado pode ajudar
Quando essas situações ocorrem, a sensação de injustiça pode ser paralisante.
É aqui que a Psicoterapia Cognitivo-Comportamental (TCC), quando aliada a um acolhimento humanizado, torna-se uma ferramenta poderosa para transformar essa dor em crescimento.
Veja como essa abordagem ajuda a atravessar esse momento:
1. Reestruturação Cognitiva: Desmontando as "Mentiras" Internas
Mesmo que você saiba racionalmente que o problema está no outro, a mente tende a criar distorções cognitivas, como a personalização (achar que tudo é culpa sua) ou a catastrofização (achar que sua reputação foi destruída para sempre).
O papel da Psicologa ou do Psicologo: Com acolhimento, o terapeuta ajuda você a identificar esses pensamentos automáticos e confrontá-los com evidências reais.
O benefício: Você para de se punir por comportamentos alheios e reforça a verdade de que a atitude do outro é uma projeção da realidade dele, não da sua.
2. Validação Emocional e Humanismo
A TCC tradicional é técnica, mas o acolhimento humanizado foca na relação terapêutica. Ser ouvido sem julgamento por um profissional é o antídoto para o "cancelamento" silencioso que você sofreu lá fora.
Lugar Seguro: Na terapia, você não precisa provar sua inocência. Você é aceito incondicionalmente.
Processamento do Luto: O afastamento de pessoas queridas, mesmo que tóxicas, gera um luto. O acolhimento permite que você chore essa perda sem se sentir fraco.
3. Estabelecimento de Limites e Assertividade
Como o texto diz, "o ônus da prova cabe a quem afirma". A terapia ensina a comunicação assertiva.
Você aprende que não deve explicações a quem já o condenou.
Desenvolve a habilidade de dizer "não" ao desejo impulsivo de ir atrás de quem o tratou com indiferença.
4. Recuperação do Autoconceito
Quando pessoas se afastam baseadas em fofocas, sua identidade pode ser abalada.
A TCC trabalha para reconstruir seu autoconceito baseado em seus valores internos, e não na validação externa.
A "Bênção Disfarçada" na Prática
A terapia ajuda você a chegar à conclusão que a paz vale mais do que qualquer explicação.
Através de técnicas de Mindfulness (Atenção Plena) e Aceitação, você aprende a deixar o "barulho" do outro passar, focando apenas no que você pode controlar: sua própria conduta e seu bem-estar.
"O tempo coloca cada máscara no chão, mas a terapia garante que, quando isso acontecer, você já esteja longe o suficiente para não ser atingido pelos estilhaços
Técnicas recomendadas para lidar com o cancelamento
1. O Questionamento Socrático (Desafio de Pensamentos)
Esta técnica serve para frear a "ruminação" (ficar pensando sem parar no que os outros estão dizendo). O terapeuta ajuda você a passar seus pensamentos por um filtro de realidade.
Como praticar: Quando vier o pensamento "Todos agora pensam mal de mim", você se pergunta:
Quais são as evidências reais disso? (Fatos, não suposições).
Isso define quem eu sou integralmente ou apenas a visão limitada de alguém?
Se um amigo querido estivesse passando por isso, eu o julgaria ou o acolheria?
(Auto-compaixão).
2. Técnica do "Círculo de Controle" (Dicotomia do Controle)
Essa técnica, inspirada no estoicismo e integrada à TCC, é excelente para reduzir a ansiedade social.
Dentro do círculo (O que você controla): Sua integridade, sua reação ao silêncio deles, o cuidado com sua saúde mental e quem você escolhe manter por perto.
Fora do círculo (O que você NÃO controla): A opinião alheia, as mentiras espalhadas, o caráter de quem acredita em fofoca e o tempo que o outro levará para perceber o erro.
O exercício: Sempre que a ansiedade bater, pergunte-se: "Isso está dentro ou fora do meu círculo?". Se estiver fora, o foco deve ser o desapego.
3. Registro de Pensamentos Disfuncionais (RPD)
É um diário estruturado que ajuda a tirar o peso da cabeça e colocar no papel. Ele ajuda a separar o fato da interpretação.
Situação | Emoção (0-100%) | Pensamento Automático | Resposta Racional |
Ver que fui excluído de um grupo. | Tristeza (90%), Ansiedade (80%) | "Eles têm razão, eu devo ser uma pessoa ruim." | "O afastamento sem diálogo diz mais sobre a imaturidade deles do que sobre o meu valor." |
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Psicóloga SP: Maristela Vallim Botari
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