Sinto Ansiedade todos os dias. Isso é Normal?
- Psicóloga sp, Maristela Vallim Botari CRP 06121677

- 31 de mar.
- 3 min de leitura
Ansiedade todos os dias: isso é normal?
Introdução
Sentir ansiedade faz parte da vida. Ela aparece diante de pressões, decisões e incertezas.
Mas quando começa a surgir todos os dias, a dúvida aparece: isso ainda é esperado ou já passou do ponto?
Conteúdo informativo desenvolvido pela
CRP-SP 06-121677
sem a finalidade de substituir a consulta psicológica, nem esgotar o tema.
Trata-se apenas de um convite à reflexão
Conceituação
O que é Ansiedade?
Ansiedade deriva do latim anxiosus, e significa "inquieto". Trata-se de um conjunto de emoções primitivas que têm como objetivo garantir a nossa sobrevivência.
É um processo cognitivo-emocional e físico em resposta aos estímulos do ambiente, que quando exagerados, geram um estado de desconforto emocional, eliciando emoções ruins, pensamentos disfuncionais e catastróficos.
Nem toda ansiedade merece tratamento. É natural e esperado que fiquemos ansiosos diante de apresentações, encontros ou provas. É uma condição natural do ser humano que só se torna um transtorno se assumir proporções disfuncionais.
Quando a Ansiedade passa dos limites
A ansiedade normal surge em resposta a situações cotidianas e desaparece assim que a situação é resolvida.
Já a ansiedade patológica é uma resposta desproporcional, caracterizada por sintomas intensos e duradouros que interferem na qualidade de vida, que pode chegar a um TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada)
Conceituação da Ansiedade
De acordo com o DSM-5, o Transtorno de Ansiedade Generalizada é caracterizado por preocupação excessiva e persistente, que acontece na maior parte dos dias, por um período prolongado, e que é difícil de controlar.
Essa preocupação costuma vir acompanhada de sintomas como:
inquietação ou sensação de estar “no limite”
cansaço frequente
dificuldade de concentração
irritabilidade
tensão muscular
alterações no sono
Segundo o DSM-5, não é apenas a presença desses sintomas que define o quadro, mas o fato de eles serem frequentes, duradouros e causarem prejuízo significativo na vida da pessoa.
Avaliação com psicólogo e psiquiatra
Quando a ansiedade começa a se tornar frequente ou intensa, o primeiro passo não é “se rotular”, mas entender o que está acontecendo.
A avaliação com um psicólogo ou psiquiatra tem exatamente esse objetivo: ouvir a história da pessoa, compreender os sintomas, o contexto de vida e como tudo isso está impactando o dia a dia.
O psicólogo realiza uma escuta clínica detalhada, investigando padrões emocionais, comportamentais e pensamentos que podem estar relacionados à ansiedade.
Já o psiquiatra, quando necessário, pode avaliar a necessidade de medicação, especialmente em casos mais intensos ou quando há prejuízo importante no funcionamento.
Ambos trabalham de forma complementar, cada um com seu papel.
Tratamento da ansiedade
O tratamento da ansiedade não segue um único caminho — ele é construído de acordo com cada pessoa.
A psicoterapia é um dos principais recursos.
Ela ajuda a compreender os gatilhos da ansiedade, desenvolver estratégias para lidar com os pensamentos e emoções, e construir uma relação mais equilibrada com aquilo que se sente.
Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico pode ser indicado.
A medicação pode ajudar a reduzir a intensidade dos sintomas, facilitando o processo terapêutico e o funcionamento no dia a dia.
Além disso, mudanças no estilo de vida também podem contribuir, como:
organização da rotina
qualidade do sono
atividades físicas
redução de estímulos estressantes
A Ansiedade no Brasil
Segundo a OMS, o Brasil tem a maior população ansiosa do mundo (18,6 milhões de pessoas).
É possível controlar a ansiedade com atividade física, medicação e terapia.
Rosely Sayão alerta para a "epidemia de diagnósticos", lembrando que não devemos rotular e apagar a pessoa por trás do sintoma.
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Genebra: OMS, 2019. Disponível em: https://icd.who.int/. Acesso em: 31 mar. 2026.
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