O controle nas relações afetivas:
- Psicóloga sp, Maristela Vallim Botari CRP 06121677

- há 7 horas
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O Controle nas Relações Afetivas e o Impacto das Redes Sociais
O controle nas relações afetivas pode provocar exatamente o contrário daquilo que promete.
Em vez de proporcionar tranquilidade e segurança, acaba gerando ansiedade, insegurança e sofrimento emocional.
Quando controlar os passos do outro se torna prioridade, a relação deixa de ser baseada em confiança e passa a ser sustentada pelo medo de perder.
As redes sociais e os aplicativos de mensagens aproximaram as pessoas, tornando a comunicação mais rápida e acessível.
Porém, também abriram espaço para formas excessivas de vigilância emocional.
Curtidas, comentários, fotos, mensagens visualizadas e horários em que a pessoa esteve online passaram a ser interpretados como sinais de interesse, rejeição ou ameaça ao relacionamento.
Muitas vezes, basta uma frase, uma fotografia ou até mesmo um “like” para despertar desconfianças e conflitos. O problema é que, em relações frágeis, existe uma tendência de interpretar atitudes neutras da maneira mais negativa possível. Assim, o WhatsApp e outras redes acabam se tornando aliados da insegurança afetiva, favorecendo comportamentos obsessivos e episódios intensos de ciúme.
Segundo Xavier (2014), vivemos aquilo que Bauman (2004) chamou de “amor líquido”, caracterizado por relações mais frágeis, rápidas e descartáveis, influenciadas pela lógica da sociedade de consumo. Nesse contexto, muitas pessoas passam a acreditar que precisam controlar o parceiro para evitar abandono, rejeição ou traição.
No entanto, relações saudáveis não se constroem através da vigilância constante. A confiança exige maturidade emocional, abertura afetiva e capacidade de tolerar incertezas. Em muitos casos, a desconfiança não está no comportamento do outro, mas nas inseguranças internas de quem não consegue confiar.
Indivíduos controladores geralmente apresentam baixa autoestima, medo intenso de abandono e grande dificuldade em lidar com frustrações. Para evitar sofrimento, tentam controlar comportamentos, amizades, horários, roupas, redes sociais e até pensamentos do parceiro. Em situações mais graves, a pessoa controlada acaba perdendo sua liberdade, afastando-se de familiares, amigos e da própria identidade.
É importante lembrar que controle excessivo não é demonstração de amor. Trata-se, frequentemente, de insegurança emocional. Amar não significa vigiar, sufocar ou limitar a individualidade do outro.
Naturalmente, existem situações em que a desconfiança possui fundamento.
Algumas pessoas realmente não inspiram confiança. Ainda assim, vale refletir: por que insistir em relações que provocam sofrimento constante? Vale a pena perder a paz, o sono e a saúde emocional tentando vigiar alguém?
Muitas pessoas permanecem em relações desgastantes acreditando que o parceiro irá mudar. Embora mudanças sejam possíveis, elas dependem da decisão do outro — não do controle exercido sobre ele.
Por outro lado, quem é controlado nem sempre percebe imediatamente o quanto está adoecendo emocionalmente.
Em alguns casos, o sofrimento aparece através de sintomas físicos, como ansiedade intensa, taquicardia, estresse constante, crises de pânico ou hipertensão.
Relacionamentos afetivos devem proporcionar acolhimento, liberdade, crescimento e bem-estar. Relações amorosas não devem assumir características de prisão, vigilância ou controle constante.
Referências:
BAUMAN, Zygmunt. Amor Líquido Rio de Janeiro: Zahar, 2004.
XAVIER, Maria Rita Pereira. O amor em tempos de internet: as expectativas amorosas na rede social Badoo. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Regional; Cultura e Representações) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2014.

























